LEITORES BETA – Considerações Ana Luísa

A bela crítica que recebi da Ana Luísa (foto) veio dividida em tópicos. Publicarei, então, em duas partes. Uma hoje, outra, semana que vem. Opto por transcrever a crítica como ela me veio: integralmente em minúsculas, períodos longos, sintaxes mais estéticas que informativas… Obrigado, Ana. Adorei as menções subjetivas a passagens do livro, evidenciando que ele, de fato, já está contigo. Como eu também estou, diga-se de passagem.

Ana Luísa

Ana Luísa e a Filha, Elis

QUANTO ÀS IMPRESSÕES GERAIS

certo dia, estava eu em uma livraria de curitiba, olhando livros, quando um deles me chamou a atenção, pelo design da capa, pelo nome do livro, pelo nome da autora. vergonha dos pés era o nome e não preciso dizer mais nada. comprei, mostrei para o meu marido, que não deu a bola que eu esperava, sentei na minha cama e li como há tempos não lia. como quando minha mãe me deu o livro meu pé de laranja lima e eu li em uma sentada. terminei o livro catártica. queria ser ela, queria escrever como ela, queria ter a genialidade dela. queria ser aquilo que sempre sonhei ser, tendo como inspiração aquela obra. até que. na minha casa, conversando com você, você me falou sobre o seu livro. foi como um golpe no coração. um golpe bem dado na falta de vergonha na cara que me acomete. tempos e tempos passaram e eu sequer comprei todas as obras dela, eu sequer sentei no computador e desenvolvi algo a mais que uma página. mas desenvolvi. acredite ou não, desenvolvi. vou tentar achar para te mostrar. enfim. isso não faz de mim uma invejosa da sua obra, isso faz de mim uma grande admiradora do seu processo de criação e, sobretudo, de você. amei ver no papel aquilo que eu gostaria de ter escrito. duas vezes. o que ela escreveu e o que você escreveu.

QUANTO AOS NOMES

a história é ótima. a confusão que se dá entre amandas, augustos, gustavos, edmunds, rômulos, fernandas e eu, como leitora, é muito boa. é como se o autor, você no caso, gozasse na nossa cara e o gozo não tivesse aquele gosto de quiboa que normalmente tem. adoro essa interação, essa metalinguagem com a realidade, com a ficção, com sei lá que caralho. no começo, não estava entendendo. depois comecei a desconfiar, do tipo: será que isso é de propósito? depois pensei: palhaço, ta tirando com a minha cara? depois: hum…entendi… mais tarde: ué, cadê a amanda e o augusto que eu estou sentindo falta?, quando, como se você estivesse escutado o que eu estava pensando, novamente inseriu aqueles personagens que não são personagens e que ao mesmo tempo são. adoro essa confusão, adoro ter que pensar, ler e reler, voltar, pensar de novo e chegar a uma conclusão que, em poucas páginas, caem por terra. isso tudo sem perder o fio da história. adorei.

QUANTO ÀS PIRAS DE AUGUSTAVÔMULO

acho que tem horas que as reflexões do personagem, joão, diria trevisan, ficam cansativas. são essenciais, mas são tantas que se tornam cansativas. acho que poderiam ser reduzidas algumas delas, como aquela que rola depois de quando os dois se encontram no bar e rola toda aquela cena na praia. poderia ser menos. entendo o tamanho da decepção do personagem, que a ele cabe toda a reflexão do mundo, mas enquanto leitora, achei cansativo. a história e os fatos narrados falam por si só. entendemos que a autora está sendo babaca e negando uma verdade. entendemos que augustavômulo só fez aquilo por amor e que sim, ele poderia ser um psicopata apaixonado como aquela louca daquele filme com o michael douglas que mata o coelho da família, mas não o é. não estou dizendo que as piras não devem existir, atenção! estou dizendo que as piras estão muito piras. mas ok, o livro é seu, você faz com ele o que quiser.

(parte 2/2)

~ por Gustavo Young em novembro 12, 2010.

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